Espírito Crítico - Blog da KINGPIN BOOKS

Segunda-feira, Outubro 19, 2009

MUCHA e TX COMICS - Preview Oficial

«TX COMICS»

Argumento e arte de Cameron Stewart,
Karl Kerschl e Ramón Pérez.
Tradução de Mário Freitas.

Outrora conhecido como Transmission-X, TX COMICS é o colectivo online canadiano de ilustradores profissionais, do qual fazem parte, entre outros , Cameron Stewart, Karl Kerschl e Ramón Pérez. Reconhecendo a internet como fonte principal de arte e entretenimento, e movidos pela ambição de produzir obras pessoais e inovadoras, livres de restrições comerciais ou editoriais, os multi-premiados artistas têm produzido alguns dos melhores webcomics produzidos em exclusivo para a net.

SIN TITULO, de Cameron Stewart

Um thriller semi-autobiográfico sobre sonhos, a família e a memória. Vasculhando os pertences pessoais do seu falecido avô, Alex Mackay descobre uma fotografia de uma jovem mulher enigmática. Obcecado com a descoberta da identidade da mulher, Alex é arrastado para um submundo surreal e perigoso que estará, de alguma forma, ligado a um acontecimento perturbante da sua infância e a um misterioso sonho recorrente.

O ABOMINÁVEL CHARLES CHRISTOPHER, de Karl Kerschl

Um Yeti bondoso, mas apetetado, que busca o seu lugar entre as coloridas criaturas de uma floresta mística, é encarregue de uma missão primordial que poderá estar muito além das suas faculdades. E quem é Charles Christopher, na realidade? De onde veio e para onde vai? Ele sabe tanto quanto nós - provavelmente até menos - e a sua aventura ainda mal começou.

KUKUBURI, de Ramon Pérez

Na pujante Big City, a rotina de Nadia como entregadora é quebrada, um dia, quando ela atravessa o que aparenta ser um vulgar portão e vai parar a outra realidade. À medida que deambula por este novo mundo em busca de respostas, na companhia da sua consciência crítica, o bizarro Senhor Bojungles, Nadia vai conhecendo os seus estranhos habitantes e descobre que nem tudo é tão belo quanto parecia...

72 Páginas, cor.
12,95EUR.

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«MUCHA»

Uma história de David Soares ilustrada por Osvaldo Medina e Mário Freitas.

«Acho que as moscas somos nós.»

O horror está a chegar à aldeia e as coisas não voltarão a ser como dantes.

6 anos depois de A Última Grande Sala de Cinema, “Mucha” marca o tão aguardado regresso à BD do romancista David Soares (Lisboa Triunfante, A Conspiração dos Antepassados), numa história de horror intimista, subversiva e inteligente, bem reveladora da voz autoral ímpar que define a obra do erudito autor.

Baseada na premissa da peça surrealista Rhinocéros, de Eugène Ionesco, “Mucha” é uma extravagância visceral sobre a ameaça de desumanização que pende sobre a cabeça de Rusalka, uma camponesa que se vê, de um dia para o outro, imergida num mundo que insiste em ser uniforme, perigoso e destituído de qualidades.

Ilustrado por Osvaldo Medina (A Fórmula da Felicidade) e Mário Freitas (Super Pig) num estilo negro singular que recupera o expressionismo gótico das bandas desenhadas clássicas de horror, “Mucha” apresenta cenas de cortar a respiração, pautadas por um ritmo frenético que não deixará nenhum leitor indiferente; ou doravante tranquilo perante uma simples mosca.

“Contundente como uma pá que tanto serve de arma de defesa como de abertura do último descanso.” (Pedro Vieira de Moura, da Introdução)

36 Páginas, preto e branco.
8,95EUR.

Quinta-feira, Outubro 08, 2009

A Kingpin Books no BD Amadora 09

Dando seguimento à longa escalada iniciada já há 10 anos, a Kingpin Books marcará este ano forte presença no Festival de BD da Amadora, que decorrerá de 23 de Outubro a 8 de Novembro no Fórum Luís de Camões, na Brandoa.

Assim, contribuímos para a presença, no 1º fim-de-semana do Festival, de 4 autores estrangeiros de BD, nomeadamente os canadianos Cameron Stewart, Karl Kerschl e Ramón Pérez, e o norte-americano CB Cebulski, argumentista e editor da Marvel Comics.

Juntando-se ao já nosso bem conhecido Cameron Stewart - notabilizado pelas suas colaborações com Grant Morrison em Seaguy, Seven Soldiers e, brevemente, no campeão de vendas Batman and Robin - chegam os seus colegas de estúdio e do colectivo TX Comics (onde se encontram provavelmente os melhores webcomics do planeta), Karl Kerschl (acabadinho de terminar as suas histórias do Flash no inovador Wednesday Comics) e Ramón Pérez, um dos artistas da recente mini-série da Marvel NYX: No Way Home, e com projectos em carteira para a Wildstorm e a Dark Horse.

A vinda a Portugal dos 4 canadianos será acompanhada por uma edição em papel, a primeira em todo o mundo, de uma selecção dos seus webcomics, naquela que será a primeira edição traduzida a publicar pela Kingpin Books. Em paralelo com a exposição colectiva patente no espaço do festival e que se debruçará em exclusivo nos webcomics, decorrerá outra exposição, aqui na Kingpin Books, com o material mais mainstream dos 3 autores canadiados, com grande destaque para a capa e páginas interiores de Batman and Robin 8, com publicação prevista apenas para Fevereiro de 2010. Para além da presença no festival nos dias 24 e 25 de Outubro, os 3 autores estarão na Kingpin Books no dia 28, em hora a definir, para uma sessão especial de autógrafos e convívio com os seus fãs, não sendo de excluir a possibilidade de uma Master Class na sala de Workshops.

Quanto a CB Cebulski, é especialmente conhecido como o editor caça-talentos da Marvel e como argumentista das séries Spider-Man: Fairy Tales e Avengers: Fairy Tales, onde colaborou com os portugueses Ricardo Tércio, João Lemos e Nuno Plati. À margem do festival, a Kingpin Books agendou já uma Master Class com o autor americano marcada para dia 22, 5ª feira, véspera da inauguração do festival, aqui na loja. CB Cebulski partilhará a sua experiência como autor e editor, e dará dicas inestimáveis aos aspirantes a autores sobre a melhor forma de progredirem na carreira e a melhor forma de apresentarem um portfólio profissional de qualidade.

Mas nem só de autores estrangeiros, bem pelo contrário, se faz a nossa presença no BD Amadora deste ano. Assim, a lançar igualmente no 1º sábado do evento, Mucha marca o regresso à BD do notável romancista David Soares, num álbum de puro horror desenhado pelo Osvaldo Medina e arte-finalizado por mim próprio. E falar do cada vez mais omnipresente Osvaldo Medina é falar, naturalmente, de A Fórmula da Felicidade vol.1, a história saída da mente do argumentista Nuno Duarte e nomeada para as 3 principais categorias dos Prémios Nacionais de BD. Os originais de A Fórmula da Felicidade e de Mucha terão direito a uma exposição exclusiva no Festival, onde conto poderem ver uma mosca gigante em 3D, a estrela da cenografia da exposição.

Para além do lançamento e apresentação dos dois novos livros e das habituais sessões de autógrafos com os autores envolvidos, levantarei um pouco o véu do que serão as novidades editoriais da Kingpin Books para 2010, com destaque imediato para o 2º e último volume da Fórmula, logo no início do ano, e para os regressos do Super Pig, com "O Impaciente Inglês" e do C.A.O.S., com "Agentes do CAOS". Mais um ano em grande em perspectiva e prometo não ficarmos por aí.

Por ora é tudo. Mais detalhes e outras notícias em breve.
Conto convosco!

Quinta-feira, Outubro 01, 2009

Kingpin Books na ANIPOP 2009

Decorrerá entre os dias 2 e 4 de Outubro a edição deste ano da ANIPOP, o mais concorrido e prestigiado evento de manga, anime e cosplay em Portugal. A edição deste ano terá lugar no Fórum Lisboa, na Av.Roma, a escassos 12 minutos a pé da Kingpin Books. Aqui fica uma planta de localização, com indicação destacada do local do evento e da nossa loja:

Estaremos naturalmente presentes com um stand cheio de novidades e deixo-vos já aqui com uma pequena amostra do que lá poderão encontrar:

Poderão consultar o programa completo de actividades no site do evento.

Conto com a vossa visita.

Terça-feira, Agosto 18, 2009

"A Fórmula da Felicidade vol.1" no Jornal de Letras...

...e ainda um pequeno teaser.

O primeiro volume da "Fórmula da Felicidade" foi objecto a semana passada de uma excelente crítica (quer na qualidade analítica quer na valoração da obra em si) no Jornal de Letras, num texto da autoria de João Ramalho Santos. Basta clicarem nas imagens para ampliá-las, como é hábito:

Entretanto... e isto, o que será?

Quinta-feira, Agosto 13, 2009

Tara nos autógrafos

Tal como prometido, aqui ficam então as fotos tiradas durante a concorrida sessão de autógrafos de Tara McPherson aqui na loja. Agradeço mais uma vez a todos os presentes e deixo aqui enfim a tal nota sobre os "ausentes" a quem aludi no post anterior.

Quem foram esses ausentes? Muito simplesmente a comunicação social. A miserável (salvo honrosas excepções) comunicação social deste país e o miserável espaço que (não) dedica à BD ou a algo com ela relacionado. Depois, aqueles que dedicam preferem antes falar de efemérides bafientas ou irrelevantes, relacionadas com autores de teor equivalente, em detrimento de artistas actuais e marcantes na cena internacional. Pelos vistos, Tara McPherson, uma artista conhecida e exposta nas maiores galerias de Nova Iorque, Barcelona e outras "pequenas" cidades, não é suficentemente boa, suficientemente grande para o "colosso" cultural que é o nosso país. Simplesmente lamentável. On with the show!

Segunda-feira, Julho 27, 2009

Tara McPherson: final de festa

Enquanto aguardo pelas fotos principais da sessão de autógrafos com a Tara McPherson aqui na loja, tiradas com a câmara da própria, aqui ficam algumas fotos dos momentos finais da tarde e do after hours que se seguiu. Aproveito desde já para agradecer a todos os inúmeros presentes a gentileza da comparência, embora me esteja a preparar para tecer algumas considerações menos simpáticos para com certo tipo de ausentes. Para breve.

Sexta-feira, Julho 24, 2009

Workshop: Winsor McCay

O 5º módulo do Workshop integrado de BD na Kingpin Books tem sido dedicado à análise de autores marcantes, desde os mais clássicos aos contemporâneos. A primeira dessas dissecações foi elaborada pelo Nuno Lopes sobre Winsor McCay, e tenho o prazer de aqui transcrever o texto completo:

E Então Surgiu McCay!
Texto de Nuno Lopes

Como surgiu a banda desenhada tal como a conhecemos hoje? Quem foi o pioneiro neste meio de contar histórias, que de entretenimento popular para jovens rapazes, se tornou na chamada 9ª arte? Desde o tempo em que os nossos antepassados viviam em cavernas, que o ser humano desenhava figuras com o propósito de comunicar; os egípcios deixaram-nos os hieróglifos, cujas figuras dispostas sequencialmente transmitiam mensagens . Mas quando foi que se iniciou o método de conciliar desenhos e palavras interligados para narrar uma história? A quem se deve tão engenhosa criação? Caros leitores e leitoras, apresentamos o pai da banda desenhada tal como a conhecemos: Winsor McCay!

Antes de McCay, já outros autores criavam histórias conciliando imagem e palavras, como Rodolphe Topffer (Histoire de Mr Jabot, 1833) ou Wilhem Busch (Krischan Mit Der Piepe, 1864). Estas histórias caracterizavam-se por serem ilustrações dispostas de forma sequencial, com o intuito de apresentar uma narrativa; legendas debaixo de cada vinheta resumiam a narrativa e também apresentavam o diálogo das personagens. E então surgiu McCay! A sua grande inovação foi a introdução de balões de diálogo dentro da própria vinheta, associados a cada personagem que intervinha verbalmente. Para além disso, McCay inovou no modo de transição narrativa entre vinhetas e até no próprio formato das vinhetas. É por estas razões que se diz que Winsor McCay foi o pai da banda desenhada, tal como a conhecemos hoje.

Zenas Winsor McCay nasceu na segunda metade do século XIX. A data exacta do seu nascimento reveste-se de incerteza: ele dizia ter nascido no Michigan em 1871; a sua lápide diz que nasceu em 1869; segundo alguns historiadores de animação, terá nascido no Canada em 1867. Ainda hoje não se sabe ao certo nem o local, nem a data exacta de nascimento de McCay. Zenas era o nome do patrão do pai de McCay e seria mais tarde abandonado por Winsor. Desde cedo revelou talento para o desenho, mas o seu pai tinha planos diferentes para ele. Enviou-o para Ypsilanti, no Michigan, para que o filho aprendesse a gerir negócios. Mas a paixão de McCay era desenhar e era assim que queria ganhar a vida. Trabalhou em dime museums desenhando retratos e era de tal modo bom observador e rápido a desenhar, que se tornou bastante apreciado. A única formação em arte que teve foi com John Goodison. Goodison era um antigo tintureiro de vidros e influenciaria o uso de cor e perspectiva de Winsor McCay. Trabalhou como ilustrador para várias publicações (quer no Michigan, quer depois em Chicago). As suas primeiras tiras foram Tales of the Jungle Imps by Felix Fiddle, publicada em 1903, no National Enquirer; as histórias eram acerca de criaturas da selva e a forma como se adaptavam ao ambiente hostil.

Antes de criar a sua obra-prima, Little Nemo in Slumberland, em 1905, criou em 1904 Little Sammy Sneeze e Dream of a Rarebit Fiend (este último assinado com o pseudónimo Silas, devido a exigências editoriais). Little Nemo in Slumberland conheceu grande sucesso, tendo sido adaptado à Broadway. McCay foi também um pioneiro no cinema de animação, concebendo filmes de Little Nemo (1911), How a Mosquito Operates (1912) e Gertie, the Dinossaur (1914). Gertie é considerada por vários historiadores do cinema de animação como a primeira personagem animada criada especificamente para filme a ter uma personalidade única e realista. McCay também foi autor de cartazes de propaganda patriótica (alguns de incentivo às forças americanas que participaram na Iª Guerra Mundial). Morreu em 1934 e deixou um legado que influenciaria vários autores e artistas, como Walt Disney ou Moebius.

Sendo um artista à frente do seu tempo, Winsor McCay influenciou mais artistas do que aqueles por quem foi influenciado. Entre os autores que influenciaram a sua obra contam-se Lewis Carroll e James M. Barrie. Em termos de correntes artísticas, notam-se as influências de Art Nouveau e do Surrealismo – esta mais visível nas tiras Dream of a Rarebit Fiend e Little Nemo in Slumberland. Também as teorias de Sigmund Freud tiveram uma grande influência nas tiras de McCay passadas no mundo dos sonhos. Foi a vontade de experimentar, de variar na forma como contava as suas histórias, que levou McCay a criar a banda desenhada como a conhecemos hoje.

Em Little Nemo in Slumberland, unanimemente considerada a sua obra-prima, é possível constatar as marcas características do brilhantismo de Winsor McCay. Little Nemo tinha como protagonista um menino chamado Nemo que viajava até ao mundo dos sonhos (Slumberland), cada vez que sonhava. O rei Morfeu enviava mensageiros para conduzirem Nemo ao seu palácio, pois a filha do rei sentia-se triste e requeria a presença do pequeno Nemo para brincar com ela. O problema é que cada vez que Nemo tentava chegar ao palácio do rei do mundo dos sonhos, algo acabava por correr mal e Nemo acabava por acordar bruscamente (umas vezes caindo da cama, outras acordando aos gritos). Cada tira de Little Nemo in Slumberland mostrava uma aventura de Nemo no reino dos sonhos e as suas tentativas para chegar ao palácio do rei Morfeu.

Devido ao seu universo onírico, encontramos em Little Nemo diversas situações bizarras e personagens irreais. O mundo dos sonhos é maravilhoso, mas também pode ser violento e assustador. No entanto, Little Nemo in Slumberland era dedicado às crianças, não sendo tão perturbador como Dream of a Rarebit Fiend – esta tira explorava o mundo dos sonhos numa vertente mais próxima dos pesadelos, envolvendo deformações, desmembramento ou morte. Apesar da acção de Little Nemo se desenrolar no mundo dos sonhos, há uma prevalência da realidade – por isso as histórias terminam com Nemo a acordar, muitas vezes de forma brusca (cai da cama). Em diversas tiras, os diálogos da penúltima vinheta eram diálogos de transição para a realidade, na qual Nemo chamava ou era chamado por um familiar (a mãe, o tio, o pai) em sonho, estando o mesmo a acontecer na realidade e sendo mostrado na última vinheta. A influência de Freud é visível, por exemplo, no facto das perturbações do inconsciente (os sonhos) terem explicações na realidade: o pai ou a mãe que repreendem Nemo por ter comido antes de dormir.

O mundo dos sonhos em Little Nemo in Slumberland adquire maior relevo através do uso de cores vivas e em termos de perspectiva: McCay era um mestre no uso de perspectiva, conseguindo transmitir na perfeição a noção de espaço amplo e vasto. O domínio perfeito do ritmo e do movimento conferiam às suas histórias um dinamismo singular, permitindo contar histórias que, apesar de curtas (apenas uma página), eram bem estruturadas narrativamente – como a sequência da corrida do cavalo, na primeira história de Little Nemo.

Sendo pioneiro numa nova arte de contar histórias, McCay fazia várias experiências para tentar construir as narrativas de forma mais eficaz e para tentar verificar qual o melhor tom narrativo: nos primeiros tempos, a combinação de imagens e palavras era feita a partir de alguns diálogos, mas principalmente através de legendas explicativas fora de cada vinheta; depois continuou com diálogos mas as legendas apareciam apenas na vinheta do título, explicando o que iria acontecer; finalmente percebeu que através do movimento que dava à narrativa e aos diálogos, conseguia contar histórias sem legendas explicativas. Também o uso das vinhetas era bastante diversificado e dinâmico (cada vinheta representava uma acção): desde vinhetas quadradas mais convencionais, a vinhetas redondas no centro da página para realçar um evento, e vinhetas rectangulares compridas – estas de dois tipos: as horizontais, fazendo parte do uso calculado de perspectiva e que serviam para mostrar um cenário amplo; as verticais, que acompanhavam colunas, pernas ou andas, com o propósito de transmitir uma noção de elevada altitude.

Outro dos efeitos explorados por McCay era a variação de planos, desde planos de perfil, até grandes planos. O traço de Winsor McCay era um traço nítido, criando formas facilmente perceptíveis. Os fundos eram desenhados com um tom mais preciso (quase realista), enquanto que o rosto das personagens tinha linhas mais simples e até caricaturais (efeito que permitia uma maior identificação do leitor com a personagem), contribuindo também para um efeito de espontaneidade na reacção das personagens. Em termos de materiais usados, McCay começou por desenhar a lápis, experimentando depois com caneta.

O legado de Winsor McCay é de tal forma significativo que mesmo hoje em dia, mais de um século depois da criação das suas primeiras tiras, não deixa de nos espantar o que descobrimos quando revisitamos a sua obra. A influência de McCay está ainda hoje muito presente no que se faz actualmente em cinema de animação e, principalmente, em banda desenhada (quer essa influência seja directa, quer seja indirecta – através de autores contemporâneos cuja obra é influenciada por McCay). À luz das grandes alterações tecnológicas e artísticas que sucederam desde a época de McCay poderemos até olhar para as suas tiras como datadas, no que se refere à apresentação gráfica; mas de certo não conseguiremos negar uma excepcional qualidade artística e uma prodigiosa imaginação que ainda hoje nos faz sonhar.